terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Livro.Cidadania no Brasil , um longo caminho.

 

            A que pés anda a cidadania no Brasil .Segue o Link para download de uma das produções da ciência política brasileira recente mais interessantes , e de linguagem de fácil acesso.

Cidadania no Brasil , um longo caminho.Link: http://www.4shared.com/document/0RW7n-4B/CARVALHO_Jos_Murilo_de_Cidadan.html

Prof.Bel , eu quero um livro didático.

 

 

Princípio básico do processo de ensino aprendizado , alunos precisam de um material didático decente para estudar individualmente.Já que a nossa secretária inventou um que não permite o aprendizado autodidata , vou disponibilizar o da secretaria do Estado dos outros .

Segue o Link para download. http://www.4shared.com/get/dYBN0pL2/ensino_mdio_sociologia.html

Daqui nós não arreda o pé.

 

           O curta metragem narra a história de duas irmãs , que ao migrarem do campo para a cidade sofrem preconceito , incluindo desde violência verbal à violência física.A situação é de tal maneira preconceituosa que os moradores da cidade fazem um baixo-assinado para as irmãzinhas idosas deixarem a cidade.

Migração .

 

          Porque as pessoas migram ?A resposta parece até obvia , uma vez que muito de nós somos descendentes de migrantes ou estamos na condição migrante : 1) Melhores condições de vida .2)Fugindo de perseguições de caracter político , étnico e religoso.

        Segue abaixo dois documentários para refletir sobre os fluxos migratórios no Brasil contemporâneo : Nação oculta , os bolivianos em São Paulo , e , Migrantes , que fala sobre as condições da migração temporária de nordestinos no corte de cana.

 

Bibliografia .

Fazer a América: a imigração em massa para a América Latina. Boris Fausto.link



Quais as diferenças e semelhanças entre as características do “estrangeiro” de Simmel e os imigrantes bolivianos que trabalham nas oficinas em São Paulo e os imigrantes nordestinos que trabalham no corte de cana em São Paulo.

Em termos de semelhança poderíamos dizer que para Simmel o estrangeiro é aquele que é visto como de fora , tratado como de fora , e em algumas situações sociais é vítima da exclusão social .Em ambos os filmes os migrantes estão em condições de exclusão da cidadania , pois não possuem seus direitos sociais plenamente garantidos .Por outro lado , George Simmel , afirma que apesar de ser visto como de fora por ser portador dos sinais da diferença , o estrangeiro faz parte da dinâmica social na qual migra .Deste modo , no caso boliviano e dos cortadores de cana , eles se inserem na dinâmica dos setores têxtil e de açúcar/álcool que extremamente competitivos buscam diminuir os custos de produção pagando menos aos trabalhadores e por tarefa , característica da chamada acumulação flexível , que nada mais é do que a precarização das condições de trabalho.

Como diferença das características do estrangeiro de Simmel , podemos apontar que no caso dos migrantes nordestinos para o corte de cana o estrangeiro não permanece , uma vez que se trata de imigrantes temporários.

Diego ,Arraya.Nação oculta .Os bolivianos em São Paulo.(filme).

Beto Novaes, Francisco Alves, Cleisson Vidal.Migrantes.2007.(filme).

O imigrante latino-americano indocumentado que trabalha no setor de costura no Brasil tem seus direitos humanos sistematicamente violados. Dezenas de reportagens foram realizadas buscando denunciar as condições enfrentadas por esses trabalhadores. Traços recorrentes nas caracterizações jornalísticas são jornadas exaustivas de até 18 horas; salários inferiores ao mínimo; má alimentação; retenção de documentos; cerceamento do direito de ir e vir por meio de portas trancadas e/ou câmeras de vigilância; descontos nos pagamentos relativos a despesas com alimentação, moradia e viagem Bolívia-Brasil; condições insalubres, como pouca luminosidade, deficiência de instalações sanitárias e de moradia (que, muitas vezes, confundem-se com o local de trabalho sendo o local de dormir um colchonete estendido perto da própria máquina de costura do trabalhador); risco de incêndio e explosões devido a más instalações elétricas; crianças trancafiadas em quartos escuros ou amarradas ao pé da máquina de costura durante a jornada de trabalho dos pais; alto índice de tuberculose; intensa coação psicológica por parte dos patrões, que ameaçam denunciar os trabalhadores às autoridades migratórias etc” . Paulo lles ,Gabrielle Louise Soares Timóteo , Elaine da Silva Fiorucci.Tráfico de Pessoas para fins de exploração do trabalho na cidade de São Paulo. Cadernos Pagu (31), julho-dezembro de 2008:199-217.

 

As redes de subcontratação que permitem ao capital evitar “custos externos” está diretamente relacionada com o trabalho precarizado. Dessa maneira, a força de trabalho andina, através das redes de subcontratação, mantém a reprodução da indústria têxtil paulista em condições de acumulação flexível, o que é cada vez mais estimulado pela necessidade de se competir com os produtos chineses. São as relações sociais e comerciais entre os trabalhadores migrantes, donos de oficina e grandes redes de roupa varejista que estruturam a cadeia produtiva no ramo da confecção.” Bruno Miranda, Taiguara Oliveira .Tramas da exploração.Migração boliviana em São Paulo. http://lastro.ufsc.br/?page_id=2386 .2010.

 

Os trabalhadores que chegam do Nordeste possuem um perfil condizente com o que se precisa hoje para o corte manual. Segundo eles próprios, por terem sido, desde crianças, socializados no árduo e duro trabalho da agricultura na sua região de origem, o trabalho no canavial não os assusta. Além disso, segundo relato dos técnicos das usinas, são preferidos pelos usineiros por serem mais dedicados ao trabalho e gratos aos empregadores pela oportunidade do emprego, inexistentes em suas regiões. A necessidade premente de ganhar dinheiro, para assegurar a subsistência da família distante, tem funcionado como um freio que os torna mais tolerantes com descumprimentos de leis trabalhistas, com as injustiças e as distorções que ocorrem nas medições feitas pelo fiscal de turma em sua produção diária no corte da cana. As particularidades do corte manual – em um contexto de modernização e intensificação da produção – implicaram, contudo, a introdução de novas formas de controle do trabalho no corte da cana, dentre elas destaca-se o ganho pela produção, pela metragem e pesagem da cana cortada. Somando-se a esses critérios o tipo da cana cortada, tem-se a referência para calcular o salário. Assim,a lógica da eficiência do corte manual é determinada pelo lema: “Quanto mais se corta, mais se ganha”.Para serem selecionados pela usina, os candidatos terão que cortar no mínimo dez toneladas de cana/dia. Caso contrário, eles serão demitido.”JOSÉ ROBERTO PEREIRA NOVAES. Campeões de produtividade:dores e febres nos canaviais paulista.ESTUDOS AVANÇADOS 21 (59), 2007.

 

Bibliografia: Simmel, George.O estrangeiro.(fichamento).http://belzanzotti.blogspot.com/2011/03/george-simmel-o-estrangeiro-judeu.html

O fazer sociológico .O capital cultural como mecanismo de reprodução social da desigualdade .

 

 

O sociológo Pierre Bourdieu certa vez se questionou por que os filhos de operários continuam sendo operários e os filhos de burgueses e profissionais liberais conseguem ter profissões que exigem ensino superior , uma vez que o sistema educacional Francês pretende ser igualitário e a escola pública é frequentanda por todos independente da classe .Estranho , neh ?Pois bem , Bourdieu estranhou essa realidade e construiu sua teoria da reprodução social pelo capital cultural.

         “ No interior de uma sociedade de classes existem diferenças culturais. As elites possuem um determinado patrimônio cultural constituído de normas de
falar, de vestir-se, de valores, etc. Já as classes trabalhadoras (ou dominadas, como são identificadas pelos autores) possuem outras características culturais, diferentes, não inferiores, pois têm lhes permitido sua manutenção enquanto classe. A escola, por sua vez, ignora estas diferenças sócio-culturais, selecionando e privilegiando em sua teoria e prática as manifestações e os valores culturais das classes dominantes.
Com essa atitude, ela favorece aquelas crianças e jovens que já dominam este aparato cultural. Para estes, a escola é realmente uma conti-nuidade da família e do “mundo” do qual provêm. A escola somente reforça e valoriza conhecimentos que estes já trazem de casa.
Já para os jovens filhos das classes trabalhadoras, a escola representa uma ruptura. Seus valores e saberes são desprezados, ignorados, e ela necessita quase que reiniciar sua inserção cultural, ou seja, aprender novos padrões ou modelos de cultura. Dentro dessa lógica, é evidente que para os estudantes filhos das classes dominantes alcançar o sucesso escolar torna-se bem mais fácil do que para aquelas que têm que “desaprender” uma cultura para aprender um novo jeito de pensar, falar, movimentar-se, enfim, enxergar o mundo, inserir-se neste e ainda ser bem-sucedido. Bourdieu chama isso de “violência simbólica”, ou seja, o desprezo e a inferiorização da expressão cultural de um grupo por outro mais poderoso econômica ou politicamente, faz com que esse perca sua identidade e suas referências, tornando-se fraco, inseguro e mais sujeito à dominação.
Perceberam que este autor faz uma crítica ao sistema escolar?
Afirmam que a escola está organizada para servir apenas a alguns gru-
pos da sociedade, aqueles que já trazem de casa uma bagagem cultu-
ral semelhante a da escola.”
pg 75.Sociologia .Secretaria estadual educação paraná , 2007.

Vejamos um trecho de “sociologia como esporte de combate” , documentário sobre a vida e a obra de Pierre Bourdieu.

           Você sabe distinguir um Monet de um Manet?A escola ensina na disciplina de artes quais são as nuances entre estes dois pintores .Obviamente fica mais fácil para as crianças que em casa os pais discutem arte , possui livros de arte , que já visitou exposições de arte , de ir bem na escola neste conteúdo curricular .Quem tem acesso a esse capital cultural?Apenas as classes mais favorecidas economicamente.

Homem é um ser social.

 

É possível existir ser humano fora de um contexto social e cultural ?!!!

“Ramu, o “menino lobo”, foi um garoto criado por uma alcatéia e encontrado por pessoas quando tinha 10 anos de idade. Criado por lobos, não teve contato com seres humanos até o momento em que foi encontrado. Não tomava banho, não se vestia, andava de quatro e se alimentava de carne crua, como os lobos com quem foi criado. Jamais aprendeu a falar e nuca deus sinais de querer se integrar socialmente.”O Estado de São Paulo 22/02/85.

“Amala e Kamala era duas meninas que foram descobertas em 1921 numa caverna da Índia, vivendo entro lobos. Tinham, respectivamente, mais ou menos 4 e 8 anos de idade quando foram encontradas. Ambas apresentavam hábitos alimentares bastante diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os animais, elas cheiravam a comida antes de tocá-la, dilacerando o alimento com os dentes e poucas vezes fazendo uso das mãos para beber e comer. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e desenvolvimento do olfato para a carne. Locomoviam-se usando as mãos e os pés, de modo quadrúpede, como os lobos. Kamala demorou seis anos para aprender a andar sobre duas pernas, isto é, de modo bípede e ereto.” A.Xavier Teles, Estudos sociais.pg115-116.

“O menino Kaspar Hauser apareceu pela primeira vez numa praça de Nuremberg, em maio de 1828. Era um estranho: ninguém sabia quem era ou de onde vinha. Trazia uma carta de apresentação anônima para o capitão da cavalaria local, contando que fora criado sem nenhum contato humano, em um porão, desde o nascimento até aquela idade (provavelmente 15 ou 16 anos) e pedindo que fizessem dele um cavaleiro como fora seu pai.Ficou-se sabendo mais tarde (quando K. Hauser aprendeu a falar) que uma pessoa, que ele não conheceu, tratava dele enquanto esteve isolado, deixando-lhe alimentos enquanto ele dormia.Acolhido na casa de um professor que se ocupou de iniciar sua socialização, é assassinado em 1833 (o filme de Werner Herzog sugere que K. Hauser foi assassinado pelo próprio pai).Quando apareceu em Nuremberg, o garoto não entendia nada do que lhe diziam; sabia falar apenas uma frase: "quero ser cavaleiro" e não sabia andar direito. Parecia um menino dentro de um corpo adolescente. Seu comportamento estranho para os padrões sócio-culturais estabelecidos, causava um misto de espanto e interesse. Era visto como um "garoto selvagem," apesar de demonstrar ser dócil, simples e gentil. Possuía algumas habilidades peculiares interessantes, descritas tanto no filme de Herzog, quanto na obra de Masson: conseguia enxergar muito longe, no escuro, e sabia tratar os animais, principalmente os pássaros. Ao mesmo tempo tinha medo de galinhas e fugia delas aterrorizado. Numa das cenas, atraído pela chama de uma vela, colocava seu dedo no fogo e, ao sentir dor, aprende que a chama queima.”Retirado de Maria Clara L.Saboya.O enigma de Kasper House.

Diante desses casos , podemos concluir que o homem animal só é verdadeiramente ser humano se estiver inserido em um contexto cultural e social .Dos contextos de isolamento apresentados acima , podemos concluir que até para funções biológicas básicas como andar e falar é necessário ao homem estar imerso em relações sociais, são frutos do processo de socialização assim como a religião e os valores de uma dada cultura.A sociedade nos faz humanos , não há uma distinção real entre natureza e cultura no que tange ao seres humanos .

Veja o Filme “O engima de Kasper House” :

Link para download do Filme .

• Direção: Werner Herzog
• Roteiro: Werner Herzog
• Gênero: Drama
• Origem: Alemanha
• Duração: 110 minutos
• Tipo: Longa-metragem.

Arquivo :RMVB.

http://www.megaupload.com/?d=NX3NIZF2

              As formas elementares do parentesco na origem das culturas.        

            Por esta razão o antropólogo Levi Strauss , em “as formas elementares do parentesco” , afirmou que somente é possível pensar a origem da cultura como uma passagem “lógica” entre natureza e cultura , nunca como um momento histórico determinado.Essa passagem lógica seria marcado pelo regra presente em todas culturas da “proibição do incesto” , uma regra da cultura que regulamenta a sexualidade que está na dimensão biológica do ser-humano .

         O tabu do incesto é qualquer regra que proiba uma pessoa de “casar-se com outra” de uma mesmo grupo de parentesco .Segundo Levi –Strauss essa regra existe para que um grupo humano possa trocar elementos simbólicos e materiais , produzindo cultura."Trocar mulheres” ( as feministas não gostam desta parte.rsrsrs) significa trocar informações entre grupos humanos .

Bibliografia.

Levi-Strauss.As formas elementares do parentesco.

Revolução Francesa .Danton: O Processo da Revolução (1983)

 

Espero que não seja punida por pirataria para fins educacionais (:

Mas , esse filme é de tirar o folêgo , especialmente na hora que Depardieu é guilhotinado , de um realismo impressionante .

O filme de 1983 narra os dilemas do período do terror.Quatro anos após a Revolução, a situação econômica da França é um desastre. Cada cidadão é um suspeito em potencial. As cabeças rolam com a guilhotina. O povo está com fome e medo. Os mesmos revolucionários, que tinham proclamado a Declaração dos Direitos do Homem, implantam o Reino do Terror. Danton e Robespierre. Enquanto o primeiro tem o apoio do povo, o segundo tem o poder. O embate entre os dois líderes dá inicio a um complexo processo político.
Segue o Link para Download .http://www.megaupload.com/?d=4ZMD52KK

Dados do Arquivo:

Tamanho: 499 Mb
Formato: RMVB
Qualidade: DVD Rip
Audio: Inglês
Legenda: Português (embutida).

Iluminismo e a cidadania moderna .Nascimento dos direitos civis e ensaio para o sufrágio universal.

 

         Os filósofos iluministas lançaram a base para a percepção moderna da relação entre Estados e indivíduos , agora não mais uma relação entre súditos e soberanos absolutos , mas entre indivíduos dotados de razão que possuem “direitos naturais” (direitos que todos os homens já nascem ) , como a vida , a liberdade e à propriedade.Se auto-intitulavam iluminista porque criticavam a postura teológica da idade média , que apelidaram idade das trevas .

           “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo" Kant.

           Mas como explicitado por Marx , através do conceito de materialismo histórico , as concepções de mundo conjuntamente com o aparato jurídico e político correspondente são gestados primeiro na práxis social , e depois ganham seu formato filosófico , jurídico e político .Então , podemos dizer que as idéias iluministas são reflexos das transformações econômicas que a Europa passava , em especial no século XVIII , onde a burguesia começava a questionar os governos absolutistas .

                  Os Estados absolutistas nascem como forma de centralizar os territórios , fragmentados no mundo medieval , fornecendo infra-estrutura para a atividade comercial , portanto em um primeiro momento ele é favorável a burguesia comercial nascente , por exemplo , o pensamento tanto de Maquiavel ( o príncipe ) quanto de Hobbes ( o Leviatã ,o homem é lobo do homem) defende as monarquias absolutistas devido ao seu caráter centralizador).Porem , esses sistemas de governo conservavam aspecto do mundo medieval , afinal o rei foi o senhor-feudal maioral que consegui convencer a nobreza ,pelas armas ou por luxuosos palácios, a aceitar o sistemas absolutista .Então apesar de com o tempo a burguesia estar ganhando cada vez mais espaço como elite econômica , tanto no comércio internacional quanto nas manufaturas ( irmã mais velha da fábrica mais ainda sem maquinário) , ela não detinha o poder político , tendo que sustentar por pesados impostos a vida luxuosa das cortes , a nobreza não pagava impostos , e sendo excluída e estigmatizada na vida das elites .

          Dentro deste contexto que aconteça as revoluções burguesas .A primeira dela é a revolução inglesa , um processo longo que culminou com a deposição de um rei absolutista e o convite de um rei de enfeite para assumir o trono : Guilherme de Orange , um holandês , na revolução gloriosa.Sendo de enfeite todo o poder decisão ficava com o parlamento , porém nesse momento o voto era cesintário , por renda , excluindo a massa da população do processo decisório.O Bill of rigths (carta de direitos) de 1689 é promulgado dando todo o poder ao parlamento e contendo a maioria dos direitos civis , direitos da liberdade , que conhecmos hoje .

        O pensamento iluminista , portanto , fazia crítica ao sistema absolutista , valorizando a razão humana , visto que o desenvolvimento científico e tecnológico da época não mais suportava as explicações de caráter religioso típico do mundo medieval ( teleológicas e holísticas , onde cada stratus social era visto como destinado a cumprir rigidamente uma função social pois Deus havia determinado ).O direito divino abre espaço para o direito natural , que deu origem ao moderno estado de direito .Partindo do pressuposto que todo homem nasce igual e livre , os filósofos deste período elaboraram modelos de sociedade justa , onde o poder estatal somente se justificaria se fosse racional e respeitasse essa liberdade primitiva dos homens , ou seja , fosse protótipos de auto-governo .

John Locke (1632-1704) , contemporâneo da revolução Gloriosa , e segundo ele os homens possuem a vida , a liberdade e a propriedade como direitos naturais principais .Para preservar esses direitos , os homens deixaram o estado de natureza , através de um contrato entre si , estabelecendo o governo e a sociedade civil .Assim os governos tem por fim respeitar os direitos naturais e , caso não o façam , caberia a sociedade civil o direito de se rebelar. ( principal obra : segundo tratado sobre o governo civil).

Montesquie(1689-1775).Na obra “ o espírito das leis” , defende a divisão dos poderes em legislativo , judiciário e executivo , de modo que o ideal de autogoverno fosse melhor realizado , afinal um poder não sobreporia o outro e não abriria espaço para a tirania absolutista.Inspirou a republica norte americana nascida pós independência em 1776 , onde a burguesia americana se revolta com a tentativa de implantação do colonialismo nos EUA por parte dos ingleses através de altos impostos sobre os produtos nativos .

Voltaire (1694-1778) .Obra principal (cartas inglesas).Criticou a igreja católica e os resquícios feudais como a servidão.Defendendo um governo por uma monarquia ilustrada , um rei esclarecido pelos filósofos.Era deísta , acreditando que havia um ser supremo , presente na natureza , e a razão servia como guia infalível para encontrá-la .Foi também um ferrenho defensor da liberdade de expressão como forma de controle do poder e realização do ideal de auto-governo , sendo dele a frase “Não concordo com uma palavra do que dizeis , mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.

Rousseau(1772-1778) , como obras principais podemos citar “o contrato social” e a “origem da desigualdade entre os homens”.É considerado um iluminista subversivo porque ao contrário de seus contemporâneos critica burguesia e a existência da propriedade privada que considerava a razão para a maioria dos males que lhe era contemporâneo como a pobreza e a exclusão da grande massa da população .Considerado o pai da democracia moderna , defende que no contrato social deve ser respeitado a decisão da maioria que representaria melhor o ideal de auto-governo.

Sobre a propriedade escreve : “O primeiro homem a quem ocorreu pensar e dizer isto é meu , e encontrou gente suficientemente ingênua para acreditar , foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.Quanto crimes e quantas guerras e assassínios teriam sido evitados ao gênero humano se aquele , arrancando as estacas , tivesse gritado :Não impostor”.

Por fim , podemos dizer que estes ideais deram insumos no nível das idéias para a rebelião contra as contradições da práxis que foi a Revolução Francesa , só que nesse momento a massa popular faminta teve que ser chamada a luta ao contrário da revolução inglesa .Produzindo assim , uma mudança mais profunda com a ascensão de idéias mas democráticas e de participação popular no governo da sociedade , pelo menos no breve interregno do período do terror ocupado pelas forças mais radicais da revolução francesa ( pequena burguesia, campesinato , trabalhadores urbanos e os grupos sociais mais excluídos e famintos da sociedade francesa.)

Bibliografia :

Marx , Karl.Para uma crítica da economia política.(link) .

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Germinal .( direitos sociais).




Este post se direciona para os alunos do 3 ano do ensino médio , afinal neste momento estamos pensando a questão da cidadania moderna , que definimos como um processo ainda em curso de luta dos diferentes grupos sociais para garantia e manutenção de direitos .Se é luta , há conflitos , e o filme Germinal que indico aos interessados mostra muito bem a luta dos trabalhadores por melhores condições de vida , ou seja , direitos sociais.

Germinal é um filme de 1993 , dirigido por Claude Berri , e baseado no livro de mesmo título de Émile Zola .Narra a história de trabalhadores de uma mina de carvão na França que diante da situação de pauperismo e exploração na qual estavam submetidos resolvem se engajar e lutar por melhores condições atráves do dispositivo da greve , inspirados em grande medida pelas idéias socialistas e anarquistas .

Amplamente considerada a obra máxima de Émile Zola, Germinal (1885) elevou a estética e a descrição naturalistas a um novo patamar de realismo e crueza. O romance é minucioso ao descrever as condições de vida subumanas de uma comunidade de trabalhadores de uma mina de carvão na França. Após ter contato com idéias socialistas que circulavam pela classe operária européia, os mineradores retratados na obra revoltam-se contra a opressão e organizam uma greve geral, exigindo condições de vida e trabalho mais favoráveis. A manifestação é reprimida e neutralizada, entretanto permanece viva a esperança de luta e conquista.

Para compor Germinal, o autor passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na carne o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros.(extraído da http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Zola )

Para saber mais :

Resenha sobre o filme .

http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=54.

http://www.liderfilmeseseriesdublados.com/baixar/germinal-legendado

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Estratificação social e desigualdade regional no Brasil .

           Este post direciona ao pessoal do segundo ano do ensino médio , que está tendo que encarar o caderninho do São Paulo faz escola , pseudo escola de Chicago (só sociólogo entende a piada) , desatualizado e confuso.Porém vamos ao assunto.

          Vivemos em um país marcado pela diversidade , tanto do ponto de vista cultural (diversidade cultural) , quanto do ponto de vista de multiplas realidades socio-econômicas .Diversidade cultural seria as diferentes práticas e manifestações simbólicas dos diferentes grupos sociais .

       Por outro lado , temos a diversidade social e econômica , tanto do ponto de vista da desigualdade regional , quanto da estratificação social .Desigualdade regional seria  a disparidade de acesso a recursos entre as regiões do país .Estratificação social , por sua vez , pode ser definida como a posição ocupada por um dado grupo na hierarquia social , sendo que ocorre uma desigualdade socialmente construída no acesso a bens e recursos materiais e simbólicos .

Abaixo a apresento alguns dado do PNAD 2009 descritivos da realidade nacional do ponto de vista tanto das deigualdades regionais , quanto daquelas que dizem respeito a estratificação social :

Analfabetismo ainda se concentra entre idosos, pessoas com menores rendimentos e residentes no NE

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade baixou de 13,3% em 1999 para 9,7% em 2009. Em números absolutos, o contingente era de 14,1 milhões de pessoas analfabetas. Destas, 42,6% tinham mais de 60 anos, 52,2% residiam no Nordeste e 16,4% viviam com ½ salário mínimo de renda familiar per capita.

Os maiores decréscimos no analfabetismo por grupos etários entre 1999 a 2009 ocorreram na faixa dos 15 a 24 anos. Nesse grupo, as mulheres eram mais alfabetizadas, mas os homens apresentaram queda um pouco mais acentuada, passando de 13,5% para 6,3%, contra 6,9% para 3,0% para as mulheres.

Norte 9,6

Nordeste 17

Centro-oeste. 7,3

Sul 5

Sudeste. 5,2.

Taxas de analfabetismo de pretos e pardos são mais que o dobro da de brancos

De 1999 a 2009, houve um crescimento da proporção das pessoas que se declaravam pretas (de 5,4% para 6,9%) ou pardas (de 40% para 44,2%), que agora em conjunto representam 51,1% da população. A situação de desigualdade por cor ou raça, porém, persiste.

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 13,3% para a população de cor preta, de 13,4% para os pardos contra 5,9% dos brancos. Outro indicador importante é o analfabetismo funcional (pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos completos de estudo), que diminuiu de 29,4% em 1999 para 20,3% em 2009. Essa taxa, que para os brancos era de 15%, continua alta para pretos (25,4%) e pardos (25,7%).

A população branca de 15 anos ou mais tinha, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto entre pretos e pardos, a média era 6,7 anos. Os patamares são superiores aos de 1999 para todos os grupos, mas o nível atingido tanto pelos pretos quanto pelos pardos ainda é inferior ao patamar de brancos em 1999 (7 anos de estudos).

Em 2009, 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior (adequado à idade), contra 28,2% de pretos e 31,8% de pardos. Em 1999 eram 33,4% entre os brancos contra 7,5% entre os pretos e 8% entre os pardos. Em relação à população de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, houve crescimento na proporção de pretos (2,3% em 1999 para 4,7% em 2009) e pardos de (2,3% para 5,3%). No mesmo período, o percentual de brancos com diploma passou de 9,8% para 15%.

Entre os mais escolarizados, mulheres ganham 58% do que recebem os homens.

Mesmo com maior escolaridade, as mulheres têm rendimento médio inferior ao dos homens. Em 2009, o total de mulheres ocupadas recebia cerca de 70,7% do rendimento médio dos homens ocupados. No mercado formal essa razão chegava a 74,6%, enquanto no mercado informal o diferencial era maior, e as mulheres recebiam 63,2% do rendimento médio dos homens.

A diferença era ainda maior entre os mais escolarizados: as mulheres com 12 anos ou mais de estudo recebiam, em média, 58% do rendimento dos homens com esse mesmo nível de instrução. Nas outras faixas de escolaridade, a razão era um pouco mais alta (61%). Entre 1999 e 2009, as disparidades pouco se reduziram.

O trabalho doméstico é um nicho ocupacional feminino por excelência, no qual 93% dos trabalhadores são mulheres. Em 2009, 55% delas tinham entre 25 e 44 anos, e a porcentagem de pardas era de 49,6%. Um percentual expressivo de trabalhadoras domésticas (72,8%) não possuía carteira de trabalho assinada; a média de anos de estudo era de 6,1, e o rendimento médio ficava na ordem de R$395,20.

Enquanto, em 2009, as mulheres trabalhavam em média 36,5 horas (em todos os trabalhos) semanais, para os homens a carga era de 43,9 horas. Nos trabalhos informais, a média caía a 30,7 horas para as mulheres e a 40,8 horas para os homens. Já nas ocupações formais, tanto para as mulheres (40,7 horas) quanto para os homens (44,8), a média de horas trabalhadas era maior que as 40 horas semanais.

Quando se analisa a média de horas trabalhadas por grupos de escolaridade tanto os homens quanto as mulheres com 9 a 11 anos de estudos trabalham mais do que os seus pares nos demais grupos. As mulheres com escolaridade mais baixa trabalham menos do que aquelas com mais de 12 anos de estudo, enquanto o inverso ocorre para os homens: aqueles com maior escolaridade trabalhavam menos do que os outros.

Apesar do aumento da taxa de atividade das mulheres, essas permanecem como as principais responsáveis pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e demais familiares. No Brasil, a média de horas gastas pelas mulheres a partir dos 16 anos de idade em afazeres domésticos é mais do que o dobro da média de horas dos homens. Em 2009, enquanto as mulheres de 16 anos ou mais de idade ocupadas gastavam em média 22,0 horas em afazeres domésticos, os homens nessas mesmas condições gastavam, em média, 9,5 horas.

A questão dos afazeres domésticos vista pela escolaridade mostra que as mulheres ocupadas com 12 anos ou mais de estudo passavam menos tempo se dedicando aos afazeres domésticos (17,0 horas semanais), quando comparadas às mulheres com até 8 anos de estudo (25,3 horas semanais).

Simultaneamente geladeira , eletricidade , telefone fixo , internet , computador , geladeira , TV a cores e máquina de lavar por Estado.

No Brasil, em 2009, 21,1% dos domicílios tinham simultaneamente energia elétrica, telefone fixo, Internet, computador, geladeira, TV em cores e máquina de lavar (em 2004, eram 12,0%). Na região Norte, 7,5% se enquadravam nesse critério, enquanto no Sudeste a proporção era de 27,8%; no Sul, de 27,1%; no Centro-Oeste, de 17,6%; e no Nordeste, de 8,1%. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tinha 40,3% dos domicílios nessa situação, seguido, com uma diferença de quase dez pontos percentuais, por São Paulo (31,9%). No outro extremo estavam Maranhão (3,7%), Piauí (5,7%) e Tocantins (5,8%).

Retirado IBGE (pnad , 2009).Síntese de indicadores sociais.

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1717&id_pagina=1 .

Renda familiar per capita por Domicílio PNAD (pesquisa nacional amostra de domicílios) por regiões.

 

Brasil

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

Centro-oeste .

Até ¼ de S.M

7,7

11,6

17,4

3,4

2,9

4,4

De ¼ a ½ S.M

15,2

22,0

24,2

10,6

9,7

13,9

De ½ a 1

27,6

30,3

29,5

26,4

25,9

29,7

De 1 a 2

24,8

18,8

15

29

32,3

25,9

De 2 a 3

8,3

5,5

4,1

10,2

11,6

8,1

De 3 a 5

6,0

3,7

2,7

7,7

8,1

6,1

Mais de 5 salários mínimos .

5,1

2,5

2,5

6,3

6,4

7

Sem rendimento

2,3

3,6

3

1,9

1,6

2,5

É mais descritivo falar sobre renda familiar per capita ( por pessoa na casa ) porque uma casa pode ter uma renda alta mais porem tem muitas pessoas .Dividindo numero de moradores pela renda , o dado descreve melhor a realidade .

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O que é cidadania.

 

O conceito contemporâneo de cidadania é fruto de um longo processo de desenvolvimento histórico , permeado por constantes lutas políticas e conquistas sociais consolidada por diferentes grupos na busca pela defesa de seus direitos Procuraremos demonstrar que a cidadania não é um conceito estático , isto é , encontra-se em construção .Em construção pois esta sempre em disputa política , pois novos direitos são conquistados pela luta dos diversos grupos sociais , e  muitos ainda não tem acesso já direitos conquistados .Por outro lado , também esta sempre em construção pois os diferentes agrupamentos que compõem a sociedade “democrática” disputam o que significa de cidadania :por exemplo , um grande proprietário de terras compreende cidadania de modo diferente do campesino sem-terra que luta por melhores condições de vida.

Na medida que os direitos de cidadania são reconhecidos eles são consolidados em leis , como por exemplo , a constituição federal .Hoje estes direitos reconhecidos , porem para parcelas da população ainda não foram efetivados , são os direitos civis , direitos políticos ,direitos sociais e os direitos humanos .

Para entender o processo de constituição da cidadania, tanto na sua origem histórica na Europa ocidental quanto no Brasil, utilizaremos a análise de T.H Marshall em “Cidadania e Classe social e Status”, sendo que a “hipótese sociológica” deste autor é a base teórica de “cidadania no Brasil, um longo caminho” de José Murilo de Carvalho.

De acordo com a análise desse autor a cidadania se define como o reconhecimento de direitos , de igualdade de status , a um segmento da população.Este segmento tende a ampliar-se por meio de lutas sociais .Por exemplo , os direitos civis veio no sentido de garantir a igualdade jurídica , inexistente no absolutismo onde apenas os nobres e o rei tinham o status da “liberdade”.Os direitos políticos foram sendo progressivamente conquistados até no sufrágio universal de hoje pelos diversos segmentos da sociedade .( homens proprietários , não proprietários , alfabetizados , analfabetos , mulheres )

Os direitos civis dizem respeito à liberdade dos indivíduos e se baseiam na existência da justiça e das leis aplicadas para todos de modo igualitário .Referem-se à garantia de ir e vir , de escolher o trabalho , de se manifestar , de se organizar , de ter respeitada a inviolabilidade do lar e da correspondência , de não ser preso e não sofrer punição a não ser pela autoridade competente e de acordo com a lei.São direitos da liberdade porque foram conquistados através da derrota do absolutismo , regime na qual os rei , portadores do direito divino , tinham a liberdade de fazer tudo que queriam , e de fazer o que quisessem com os súditos, a nobreza do mesmo modo com o resto da população .Com a derrota do ancien regime , a “liberdade” ganha essa outra concepção , ou seja , da não submissão da população a arbitrariedade, tudo é feito com o devido processo legal .Processo que teve ínicio com o Bill of rigths ( carta de direitos) que a burguesia inglesa consegui promulgar instaurando o governo parlamentarista (revolução gloriosa), pois a burguesia já detentora do poder econômico não queria mais sustentar o poder político da nobreza e do rei absolutista.

Os direitos políticos referem-se à participação política do cidadão no governo e na sociedade e consistem no direito de fazer manifestações políticas , de se organizar em partidos , sindicatos , movimentos sociais , associações e votar .

Os direitos sociais dizem respeito ao atendimento das necessidades básicas do ser humano , como alimentação , saúde educação , trabalho , salário justo ,aposentadoria etc .O marco central da conquista desses direitos é a conquista por direitos trabalhistas.Lembrando que nos primórdios da revolução industrial não havia qualquer regulação sobre o trabalho , e como o valor é obtido pelo capitalista atráves da extração da mais-valia ( produzi 5 celulares , recebi o salário equivalente a um , o resto fica com o dono da fábrica ), os trabalhadores eram explorados até a exaustão , com jornadas enormes , ganhando muito pouco , trabalhando dia e noite .Com o tempo atráves de lutas sociais , reveindicando e exercendo direitos políticos ,os trabalhadores conseguiram aprovar legislações trabalhistas. 

Os conceito de direitos humanos aparece no pós II Guerra, impulsionados como resposta aos horrores da guerra como holocausto , e englobam todos os demais direitos pois tratam dos direitos fundamentais da pessoa humana .São eles o direito à vida , a liberdade ,à igualdade de direitos e oportunidades e o direito de ser reconhecido e tratado como pessoa , independente de sua nacionalidade , gênero ,idade, origem social , cor da pele , etnia , faculdades físicas e mentais , antecedentes criminais , doenças ou qualquer outras características.

 

 

A hipótese sociológica de T.H Marshall e a cidadania no Brasil para José Murilo de Carvalho.

Segundo Marshall “há uma espécie de igualdade humana básica associada com o conceito de participação integral na comunidade (...) o qual não é inconsistente com as desigualdadesque diferenciam os vários níveis econômicos na sociedade” (p. 62).Em outras palavras , o conceito de cidadania cultivado historicamente pressupõe um status de igualdade entre os membros da sociedade que entra em conflito com a desigualdade presente na esfera econômica , pois tal desigualdade , por sua vez, é a condição de existência do sistema capitalista. Deste modo ,a emergência do capitalismo impulsionou uma visão política da igualdade do ponto de vista jurídico ( direitos civis) , mas a existência desta base permitiu aos grupos sociais excluídos a reivindicação da participação política ( direitos políticos) , por fim , com a posse dos direitos políticos foi aberto a possibilidade da reivindicação de melhores condições de vida ( direitos sociais).A cronologia destes direitos podem ser demarcados em pontos históricos específicos à cada um , e a analogia de uma pirâmide , onde a base são os direitos civis e a o cume os direitos sociais , é interessante pois permite visualizar como uma consciência de direitos mais ampliada foi possível a estas populações , havendo efetivamente “direitos conquistados” , por meio da reivindicação e participação popular.

                                   direitos sociais no topo

clip_image001direitos civis na base

De acordo com José Murilo de Carvalho , no Brasil está pirâmide se inverteu , pois os direitos sociais , direitos trabalhistas ,foram conquistados num cenário político de ausência de direitos políticos e de muitos direitos civis , a Ditadura Vargas (Estado Novo) que cria a CLT (consolidação das leis do trabalho).Tal inversão produziu uma cultura política passiva e apática frente a luta pela manutenção e obtenção de direitos . Assim sendo , espera-se no imaginário social um “salvador”, um “pai dos pobres” , que concederá direitos ,em especial os direitos sociais , ou seja , os direitos são pensados como uma ação do Estado que os concede e muito pouco como ação do cidadão que o conquista por meio da luta .Por outro lado , dado ao fato de termos uma democracia recente , ou seja , temos mais anos de ditadura em nossa memória histórica do que anos de democracia , a consciência dos direitos civis e políticos como arma política ( a base) ainda é muito precária. A consciência e a efetivação dos direitos civis é ainda mais precária , os pobres em grande medida os desconhece ou não tem acesso adequado a justiça pois não podem arcar com os custos .O resultado é um acesso dos mais abastados aos direitos civis , enquanto as classes populares citam sem pestanejar o código penal .

Bibliografia.

T.H.Marshall. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1967.

Carvalho , José Murilo .Cidadania no Brasil , um longo caminho.

(livro interessante para estudar pro vestibular também).http://www.4shared.com/get/LnszehQV/CARVALHO_Jos_Murilo_de_Cidadan.html

Um outro texto sobre o assunto :

http://www.brasilescola.com/sociologia/cidadania-ou-estadania.htm

 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Determinantes históricos /social e culturais para o surgimento da sociologia.

Ai que preguiçaaaaaa!!!! Este post vai ficar enorme , não é ? Isso é pra vocês que estão lendo , imagina para mim que estou escrevendo .Força na peruca , Bel!!!!!!!Ou....se utiliza do recurso dos alunos safados :copia e cola .É isso ai! E assim , vocês descobrem um material de consulta muito bom pra estudar e se aprofundar na disciplina , essa apostila da secretaria estadual do Paraná.Para não perderem “o fio da meada” logo abaixo faço um resumo do texto, mas por favor lêem o texto ,cambada!!!!

Em resumo , aluninhos , a sociologia como ponto de vista científico teve que ter como seus antecessores o Renacismento e o Iluminismo , visões de mundo que valorizavam explicações racionais , portanto , objetivas do mundo em detrimento das explicações religiosas subjetivistas da realidade típica da idade média.Inclusive Maquiavel é considerado o pai da ciência política , pois pela primeira vez pensou racionalmente o exercício do poder , sem fazer referências á explicações ou moral religiosa .

A emergência do capitalismo com a revolução industrial trouxe inúmeros problemas sociais que demandaram o surgimento da sociologia , afinal ciência gosta de “pobrema” , não é?

E que problemas !!!!!.A expulsão de uma massa de trabalhadores do campo para a cidade, afim de ocupar os campos cultiváveis com a produção de insumos para a industria , por exemplo, lã . Uma acelerada urbanização com problemas sanitários decorrentes tais como a proliferação de doenças e epidemias.E dada a fartura de mão de obra nas cidades e adicionado a dinâmica da competição por lucros do capitalista os trabalhadores eram explorados até exaustão ou morte.

Afinal o lucro do capitalista vem da extração de sobre-trabalho ou mais valia (o trabalhador produz 10 celular e o capitalista paga o salário equivalente a 1 celular), e não é bem lucro que se chama , mas de “valor” .O valor na sociedade capitalista acontece na produção , e não na venda como o senso-comum acredita.(ver .A mercadoria .Capital 1.De Karl Marx).

Nesta época não havia regulação sobre o trabalho bem definidos , os direitos trabalhistas ainda estavam por ser conquistados .Deste modo , valia de tudo para extrair a mais-valia :trabalho de criança, de mulher, de 12 a 18 horas por dia , de dia e de noite e etc.Isso pagando uma miséria , que dava mal para comer .Dai com a experiência das revoluções burguesas que apregoavam a igualdade , a liberdade e fraternidade entre os homens , os trabalhadores é obvio que começaram a se revoltar .Afinal , “o que que era isso”?!!!!!!!!Esse tipo de reação assustava a burguesia, que já dona do Estado “mandava o cacete no povo”.Nesse quadro de rápidas mudanças sociais , conflitos e problemas sociais é que nasce a sociologia tentando entender esses problema

“A falta de um entendimento comum por parte dos sociólogos sobre a ciência , possui em boa medida , uma relação com a formação de uma sociedade dividida em antagonismos de classe .A existência de interesses opostos na sociedade capitalista penetrou e invadiu a formação da sociologia (...)O carácter antagônico da sociedade capitalista , ao impedir um entendimento comum por parte dos sociológos em torno ao objeto e métodos de investigação desta disciplina , deu margem ao nascimento de diferentes tradições sociológicas ou distintas sociologias , como prefere afirmar alguns sociólogos”.

Martins, Carlos Benedito .O que é sociologia .São Paulo: Brasiliense , 2003.(Primeiros Passos).Pg 34, 35.

Logo, a sociologia , desde seu início , não foi marcada pelo consenso , mas por intensos debates entre diferentes correntes de pensamento .Existiam desde as correntes que procuram explicar a sociedade a partir de se seus fundamentos econômicos (Karl Marx) ( o econômico determina outras dimensões da vida humana como a política e a cultura) , e outros , como Weber que realizaram uma interpretação causal da cultura e da história ( aspectos culturais , ethos , modelam a economia. A ética protestante e o espírito do capitalismo) .Também havia perspectiva teóricas que explicavam a sociedade a partir de uma tendência à integração , como Émile Durkheim.( coesão social , por exemplo.).

A ”Gênesis Sociológica”: Everaldo Lorensetto

É importante...

Nesse início de trabalho, buscaremos conhecer como a Sociologia surgiu, para depois sabermos como é que ela pode nos ajudar a entender a sociedade, bem como os problemas levantados pela atividade anterior. Vamos fazer um passeio pela história para encontrarmos suas bases. Acompanhe:

Como tudo começou!

Apesar da ciência sociológica ser considerada nova, pois ela se consolidou por volta do século XIX, a angústia de se entender as sociedades, por sua vez, não é tão nova assim. Se olharmos para a Grécia Antiga, vamos ver que lá já havia o desejo de se entender a sociedade.

No século V a.C, havia uma corrente filosófica, chamada sofista, que começava a dar mais atenção para os problemas sociais e políticos da época. Porém, não foram os gregos os criadores da Sociologia.

Mas foram os gregos que iniciaram o pensamento crítico filosófico. Eles criaram a Filosofia (que significa amor ao conhecimento) e que, por sua vez, foi um impulso para o surgimento daquilo que chamamos, hoje, de ciência, a qual se consolidaria a partir dos séculos XVI e XVII, sendo uma forma de interpretação dos acontecimentos da sociedade mais distanciada das explicações míticas.

Foram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.C) e Aristóteles (384-322 a.C), que surgiram os primeiros passos dos trabalhos mais reflexivos sobre a sociedade. Platão foi defensor de uma concepção idealista e acreditava que o aspecto material do mundo seria um tipo de fruto imperfeito das idéias universais, as quais existem por si mesmas. Aristóteles já mencionava que o homem era um ser que, necessariamente, nasce para estar vivendo em conjunto, isto é, em sociedade. No seu livro chamado Política, no qual consta um estudo dos diferentes sistemas de governo existentes, percebesse o seu interesse em entender a sociedade.

Já na Idade Média...

Séculos mais tarde, no período chamado de Idade Média (que vai do século V ao XV, mas exatamente entre os anos 476 a 1453), houve, segundo os renascentistas (que vamos conhecer mais à frente), um período de “trevas” quanto à maneira de ver o mundo. Segundo eles, havia um prevalecer da fé, onde os campos mítico e religioso, tendiam a oferecer as explicações mais viáveis para os fatos do mundo. Na Europa Medieval, esse predomínio religioso foi da Igreja Católica Tal predomínio da fé, de certo modo, e segundo os humanistas renascentistas, asfixiava as tentativas de explicações mais especulativas e racionais (científicas) sobre a sociedade. Não cumprir uma regra ou lei estabelecida pela sociedade, poderia ser entendido como um pecado, tamanha era a mistura entre a vida cotidiana e a esfera sobrenatural. (...)

Tudo caminhava para o uso da razão

O predomínio, na organização das relações sociais, dos princípios religiosos durou até pelos menos o século XV. Mas já no século XIV começava a acontecer uma renovação cultural. Era o início do período conhecido por Renascimento.

Os renascentistas, com base naquilo que os gregos começaram, isto é, a questionar o mundo de maneira reflexiva (como já contamos anteriormente), rejeitavam tudo aquilo que seria parte da cultura medieval, presa aos moldes da igreja, no caso, a Católica.

O renascimento espalhou-se por muitas partes da Europa e influenciava a arte, a ciência, a literatura e a filosofia, defendendo,sempre, o espírito crítico.

Nesse tempo, começaram a aparecer homens que, de forma mais realista, começavam a investigar a sociedade. A exemplo disso temos Nicolau Maquiavel (1469-1527) que, em sua obra intitulada de O

Príncipe, faz uma espécie de manual de guerra para Lorenzo de Médici. Ali comenta como o governante pode manipular os meios para a finalidade de conquistar e manter o poder em suas mãos.Obras como estas davam um novo olhar para sociedade, olhar pelo qual, através da razão os homens poderiam dominar a sociedade, longe das influências divinas.

Não perdendo de vista...

Estamos contando tudo isso para que você perceba que nem sempre as pessoas puderam contar com a ciência para entender o mundo,sobretudo o social, que é o queremos compreender.

Dessa maneira, muitas pessoas no passado, ficaram ‘presas’ principalmente, àquelas explicações a respeito da realidade que eram baseadas na tradição, em mitos antigos ou em explicações religiosas.

O Iluminismo

Já no século XVIII, houve um momento na Europa, chamado de Iluminismo, que começou na Inglaterra e na França, mas que posteriormente espalhou-se por todo o continente em que a idéia de valorizar a ciência e a racionalidade no entendimento da vida social tornouse ainda mais forte.

Uma característica das idéias do Iluminismo era o combate ao Estado absoluto, ou absolutismo, que começou a surgir na Europa ainda no final da Idade Média, no século XV, em que o rei concentrava todo o poder em suas mãos e governava sendo considerado um representante divino na terra, uma voz de Deus, a qual até a igreja, não raramente, se sujeitava.

Com a ciência ganhando força, era, digamos, inviável o fato de voltar a pensar a vida e a organização social por vias que não levassem em conta as considerações da ciência em debate com as de fundo religioso. Como por exemplo, imaginar os governantes como sendo representantes sobrenaturais.

Nesse período, a continuada consolidação da reflexão sistemática sobre a sociedade foi ajudada por autores como Voltaire (1694-1778), filósofo que defendia a razão e combatia o fanatismo religioso; Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que estudou sobre as causas das desigualdades sociais e defendia a democracia; Montesquieu (1689-1755), que criticava o absolutismo, e defendia a criação de poderes separados (legislativo, judiciários e executivo), os quais dariam maior equilíbrio ao Estado, uma vez que não haveria centralidade de poder na mão do governante.

Portanto, com a contribuição Iluminista...

A partir das teorias sobre a sociedade que no período Iluminista surgiram, é que começa a ser impulsionada, ou preparada, a idéia da existência de uma ciência que pudesse ajudar a interpretar os movimentos da própria sociedade.

Consolidação do Capitalismo e a Revolução

Industrial!

Estamos mudando de assunto?

Mudando em parte, porém não estamos deixando de falar do surgimento da Sociologia. Há outros elementos que a motivaram surgir. As transformações na sociedade européia não estavam ocorrendo somente no campo das idéias, como era o caso da consolidação da ciência como ferramenta de interpretação do mundo, que vimos até aqui.

Há também a consolidação do sistema capitalista, culminando com a Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XVIII, na Inglaterra, gerando grandes alterações no estilo de vida das pessoas, sobretudo nas das que viviam no campo ou do artesanato. Estes temas despertavam o interesse de críticos da época.

Dessa maneira, quando a Sociologia iniciou os seus trabalhos, ela o fez com base em pensadores que viram os problemas sociais ocasionados a partir da crise gerada pelos fatos acima mencionados.

Acompanhe:

Recorrendo à História para entendermos...

Podemos dizer que o início do sistema capitalista se deu na chamada Baixa Idade Média, entre os séculos IX e XV, na Europa Ocidental.

A partir do século XI, com as “cruzadas” realizadas pela Igreja Católica, para conquistar Jerusalém que estava dominada pelos muçulmanos, um canal de circulação de riquezas na Europa foi aberto.

O contato cultural e o comércio do ocidente com o oriente europeu foram retomados via Mar Mediterrâneo. Com a movimentação de pessoas e riquezas houve, na Europa Ocidental, o surgimento de núcleos urbanos, conhecidos por burgos. Destes, ressurgiram as cidades, pois existiam poucas naquele tempo.

As chamadas corporações de ofício, que eram uma espécie de associação que organizava as atividades artesanais para ter acordo entre os preços de venda e qualidade do produto, por exemplo, começaram a aparecer a fim de regular o trabalho dos artesões que vinham para as cidades exercer sua profissão. Aqui vemos que a idéia do lucro se fortalecia. Mais tarde, os europeus começaram a explorar o comércio em termos mundiais, principalmente depois dos séculos XV e XVI e das chamadas Grandes Navegações. Por exemplo, com o descobrimento da América, muita riqueza daqui era levada à Europa para a criação de mercadorias que seriam vendidas nesse mercado mundial que estava surgindo. A idéia de uma produção em série de mercadorias começava a surgir.As antigas corporações de ofícios foram transformadas pelos comerciantes da época em manufatura.

O trabalho manufatureiro acontecia com vários artesãos, em locais separados e dirigidos por um comerciante que dava a eles a matéria-prima e as ferramentas. No final do trabalho encomendado, os artesões recebiam um pagamento acertado com o comerciante.

Mais à frente ainda, os comerciantes (futuros empresários capitalistas) pensaram que seria melhor reunir todos esses artesãos num só lugar, pois assim poderiam ver o que eles estavam produzindo. Além de cuidar da qualidade do produto, o controle sobre a matéria-prima e ritmo da produção poderia ser maior.

Foi então que surgiu a idéia da fábrica...

Um lugar com uma produção mais organizada, com a acentuação da divisão de funções, onde o artesão ia deixando de participar do processo inteiro de produção da mercadoria e onde passava a operar

apenas parte da produção. Desse ponto para a implantação das máquinas movidas a vapor, restava somente o tempo da invenção das mesmas.

Quando o inventor escocês James Watt (1736-1819) conseguiu patentear a máquina a vapor, em abril de 1784, ela veio dar grande impulso à industrialização que se instalava, aumentando a produção, diminuindo os gastos com mão-de-obra e aumentando o acúmulo de capital.

Veja o quadro que se montava...

O sistema feudal da Europa Ocidental, estava sendo superado. Ele não conseguiria suprir as necessidades dos novos mercados que se abriam. O sistema capitalista, com base na propriedade privada e no

lucro, isto é, na acumulação de capital, estava sendo consolidado.A partir da Revolução Industrial (século XVIII), as cidades da Europa Ocidental começavam a se transformar em grandes centros urbanos comerciais e, posteriormente, industriais. Muitas delas “inchadas” por desempregados. O estilo de vida das pessoas estava se transformando para alguns de forma violenta e radical – como era o caso de muitos camponeses que eram expulsos pelos senhores das terras que as cercavam para criar ovelhas e fornecer lã às fábricas de tecidos.Já no caso dos artesãos, esses “perdiam” sua qualificação profissional e o controle sobre o que produziam, ou seja, de profissionais, passavam a “não ter profissão”, pois a indústria era quem ditava que tipo de profissional precisava ser. Não importava se fossem grandes arte-sãos, só precisariam aprender a operar a máquina da fábrica. Se fosse hoje, usaríamos o termo aprender a “apertar botões”. Dessa maneira, como não tinham capital para ter uma produção autônoma e competir com a fábrica, submetiam-se ao trabalho assalariado.

Novas e grandes invenções estavam sendo realizadas no campo tecnológico, como as próprias máquinas a vapor das indústrias. O comércio mundial estava aumentando cada vez mais. O mundo estava “encolhendo”, em termos de fronteiras comerciais e ficando “europeizado”.

E em meio a isto, duas classes distintas emergiam: a composta pelos empresários e banqueiros, chamada de classe burguesa, e a classe assalariada, ou proletária.

A classe burguesa é aquela que ao longo do tempo veio acumulando capital com o comércio e reteve os meios de produção em suas mãos, isto é, as ferramentas, os equipamentos fabris, o espaço da fábrica, etc., bem como o poder político. Já a classe proletária, sem capital e expropriada dos meios de produção por meio de sua expulsão dos feudos e das terras comuns, tornava-se fornecedora de mão-de-obra aos donos das fábricas.

Agora perceba comigo:

O quadro social na Europa Ocidental do período passava, então, por transformações profundas, provocadas pela consolidação do sistema capitalista, pela valorização da ciência contrapondo as explicações míticas a respeito do mundo, pela abertura de mercados mundiais e pelos conflitos derivados das condições de vida miseráveis dos operários, confrontadas com o enriquecimento da classe burguesa. É em meio a todas essas mudanças que a Sociologia começa a ser pensada como sendo uma ciência para dar respostas mais elaboradas sobre os novos problemas sociais.

A Sociologia e suas teorias, as quais vamos ver a seguir, se constituem ferramentas de reflexão sobre a sociedade industrial e científica que surgia.

Retirado de Sociologia / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006.pg 17-31.

download http://www.4shared.com/document/dYBN0pL2/ensino_mdio_sociologia.htm

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O olhar sociológico .Desnaturalização e estranhamento da realidade.

Meus interlocutores desse post provavelmente são os alunos do 1° ano que  estão curiosos para saber que raio é esse de sociologia .Para parafrasear o pessoal do Pânico : O Que que é isso??????!!!!!!

A sociologia entrou recentemente como disciplina obrigatória no ensino médio no Brasil, porém passou um longo período de ostracismo do currículo da educação básica, seja por contextos de ditadura (no Estado Novo de Getúlio Vargas , ditadura militar ) , ou , por descaso com a educação mesmo e com a formação cidadã de vocês.

“O Projeto tramitou por quatro anos e em setembro de 2001 foi, finalmente, aprovado pelo Senado, tendo sido motivo de comemoração por nós, profissionais de Sociologia, em todo o país. No entanto, no dia oito de outubro (dia que marca o assassinato de Che Guevara na Bolívia), o Presidente Fernando Henrique Cardoso (que não acordou com o pé direito!) vetou integralmente a lei aprovada na Câmara por unanimidade e no Senado por 40 votos a 20. As razões colocadas para o veto foram que a inclusão das disciplinas no currículo implicaria na constituição de ônus para os Estados e o Distrito Federal, pressupondo a criação de cargos para a contratação de professores, e que não havia no país formação suficiente de tais profissionais para atender a demanda caso o projeto fosse sancionado.” .(retirado de :

http://www.espacoacademico.com.br/069/69honorato.htm )

O mais irônico é que o cara é sociólogo.O que que é isso?!!!!! Mas , enfim , a sociologia voltou como disciplina ( eba!!!) .Então vamos começar definindo “o que é o fazer sociológico?”.

-Sócio ( sociedade) , logia ( ciência ) = ciência da sociedade.-diz um aluno apressado na expectativa de terminar logo a aula expositiva e assim colocar os assuntos em dia com o colega do lado.

-Correto.Mas isso é apenas uma tautologia , não é uma explicação – responde indignada a professora , enquanto os outros alunos ficam boiando na maionese com o vocábulo estranho enfiado goela abaixo.

A sociologia faz parte de um grupo chamado de ciências sociais, da qual faz parte a antropologia (ciência que estuda a diversidade de culturas humanas) e a ciência política (que estuda as relações de poder, em especial as institucionalizadas).Além do diálogo com a ciências sociais , a sociologia também conversa com outras ciências tais como a história , a geografia , a demografia e etc.

A especificidade do “olhar sociológico” é o estranhamento da realidade social observada e a consequente desnaturalização dos fenômenos sociais .Um exemplo simples , um número grande de pessoas de classe baixa não conseguem “passar no vestibular” em áreas que lhe permitiriam uma maior ascensão social , mas porque isso acontece ? Um olhar de senso comum, que naturaliza a desigualdade, responderia que as coisas são assim mesmo, porque as crianças pobres não ligam pra estudar, fica o dia inteiro soltando pipa. O olhar sociológico estranharia essa realidade, tentando responder com mais afinco esta questão, buscando através de métodos científicos (observação participante ou etnografia, dados estatísticos , análise de fontes secundárias etc.) as causas sociais da desigualdade no acesso aos recursos educacionais, como , por exemplo , a falta de recursos financeiros para o custeio de “cursinhos” ou o pouco “capital cultural” dos pais como hipóteses possíveis.

Sendo a sociologia uma ciência, ela utiliza métodos e procedimentos objetivos para compreensão da realidade.Métodos e procedimentos objetivos , por definição ,universais, que todo cientista usa de modo que “experimento”possa ser refeito.Ou seja, “objetivo” se contrapõe a “subjetivo”, subjetivo significa sentimentos e opiniões particulares.Para fins desta objetividade temos que tratar os “fatos sociais” como coisas , já diria o Durkheim , Weber acrescenta que devemos desvencilhar dos juízos de valor de modo que até mesmo um cientista “Chinês” possa adotar ou refutar a explicação sociológica dada.Este cuidado metodológico oferece legitimidade a explicação científica.

“ Na esfera da ciências sociais uma demonstração científica , metodologicamente correta ,que pretende ter atingido seu objetivo , deve ser reconhecido por igual maneira por uma chinês”.Weber, M .Sobre a teoria das ciências sociais .São Paulo.Moraes, 1991.pg11.

Deste modo, objetivo se opõe a “senso comum”, enfim aquelas explicações da realidade que são superficiais e acríticas. Vejamos o vídeo da kika , personagem da TV cultura ,que bombardeada por uma resposta de senso comum , busca uma resposta objetiva para suas questões.E ainda a canção inconformista de Chico Buarque que inverte alguns provérbios populares , senso comum, mostrando uma visão mais crítica e complexa da vida.

Bom conselho.Chico Buarque.
Mude a

Resumo :

A sociologia é a ciência da sociedade .Certo?

Ciência lembra cientista , laboratório e experimento .Enfim , qualquer cientista independente da área , possui uma pergunta , elabora hipóteses e respostas por meio de um experimento , ou seja , métodos objetivos .

Métodos objetivos são procedimentos de estudo conhecidos e aceitos por toda a comunidade científica , e se um cientista duvidar da tese apresentada por outro ele pode refazer o experimento segundo esses mesmos métodos padronizados .

Podemos citar como métodos da análise social : a etnografia , a interpretação e obtenção de dados estatísticos e análise de qualquer fonte secundária que auxilie na busca de respostas .

Porém o laboratório do cientista social é muito mais complicado, porque é a sociedade, o lugar onde o cientista vive e provavelmente ele , como qualquer um , possui seus juízos de valores sobre o mundo que o cerca .

Mas , sabemos que ele tem que ser objetivo para que sua tese tenha validade cientifica ,portanto , é necessário ao sociólogo se apartar de seus juízos de valores particulares , subjetivos .

Percebemos então que o “olhar sociológico” oferece respostas mais complexas sobre a realidade social , porque o método cientifico exige que se pense muito para chegar a uma resposta válida .Portanto , o olhar sociológico busca superar o senso comum .

Senso comum são aquelas prenoções que temos sobre o mundo, mas que não significam que sejam verdadeiras, pois são elaborações superficiais, imediatistas e acríticas sobre o mundo .

Por fim , podemos dizer que o olhar sociológico busca superar o senso comum , desnaturalizando explicações simplistas ( sempre foi assim , é assim porque é , porque Deus quer,etc) , através da postura do estranhamento .

Estranhamento vem de estranhar ,ou seja , olhar o mundo que nos cerca e estranhar as respostas que as pessoas geralmente nos fornecem , desconfiando das explicações que dizem que isso é natural , verdadeiro e definitivo .O estranhamento é um grande “por quê?” sobre o mundo (por que isso ou aquilo acontece?).